terça-feira, 30 de janeiro de 2018

mundos

somos mundos
nos chocamos
nos colidimos
às vezes nascem planetas
noutras, buracos negros

se a trago para minha atmosfera nos beijamos, nos abraçamos, nos comemos
mas você volta à sua órbita repelente

então abandono meu mundo, minha criação e penetro na sua
sinto algum gelo na superfície
força de gravidade quase nula
alguma solidão, muito espaço
algum vazio, cansaço

volto à minha origem e te espero
quem sabe o movimento da Lua a chame ao meu bem querer
o movimento das marés dos desejos clamem por calor
vou rodar a imensidão dentro de um único pensamento
no amor e na dor tudo se passa num momento que parece ser infinito.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

minta, por favor!

minta para mim,
diga que sou o único
que sou o primeiro em teus privilégios
por favor, minta!
ao dizer que nos agrados matinais sou pioneiro
que fui inteiro prazer em suas carnes
por favor, por favor
diga quão feliz és só agora no meu peito
fale das suas delícias como se sempre fora eu mesmo teu protetor
jura-me que carícias jamais atingiram limites de dor
minta sem dó
eu quero mesmo é saber que meus beijos matam qualquer lembrança
aniquilam quaisquer saudades
suprimem anseios que o gozo sequer tocara
os gemidos, as grosserias ao ouvido,
minta, por favor

mas não se esqueça de uma única verdade - amor é entrega e paixão escorrega

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

mudei

- mudei o nome.
- por quê?
- porque nunca mais serei o mesmo
- era ruim?
- não. era até bom, a muito tempo...
- foi ficando ruim?
- um pouco.
- e agora?
- agora o quê?
- como vai ser?
- mudança é tiro no escuro, acerta onde acertar...

quarta-feira, 7 de junho de 2017

fragmentos de um diálogo íntimo V

- outro dia a morte lambeu meus beiços
pela primeira vez ela zumbiu meus ouvidos e meu juízo se foi
um simples papel, como pode? apenas um papel...
- credo.
- pensar nela é perturbante, ansioso, mas é preciso
- assim você vai chamá-la!
- sei lá, mais dia menos dia ela virá mesmo...acho interessante fazer amizade, assim ela dá um tempo.
- um tempo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

fragmentos de um diálogo íntimo IV

- você se arrepende?
- se eu me arrependo?...hum...em alguns momentos sim, outros não. de uma coisa tenho certeza: não devia ter mudado toda minha vida por causa da minha carência. devia tê-la tratado, curado, enquanto podia, enquanto não metia o olho na fechadura errada.
- é.
- agora é juntar os cacos, tentar refazer o vaso para poder abrigar lindas e novas flores.
- um dia
- um dia.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

fragmentos de um diálogo íntimo III

- o que você é?
- não sei.
- pergunta errada. Qual seu objetivo?
- não sei.
- serve pra quê?
- também não sei.
- então...
- sou um vivente, por enquanto...
- só?
- é.
- você é bonito?
- às vezes.
- quando?
- ah...quando tenho uma ideia genial!
- qual a última que teve?
- ...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

esta é apenas uma carta de doação

esta é apenas uma carta de doação

da minha sinceridade ao vê-la de alma desflorida
de olhos tão opacos, num verde cansaço
de um sorriso forçoso de canto de boca,
somente um lado
o lado que repuxa as engrenagens da esperança e tenta
apenas tenta
eu sei que a alegria mora em algum pedacinho do seu corpo
mas qual?

e eu, eu me sinto tão inútil, tão insignificante, com minhas tentativas de te fazer uma piada
de te arrancar uma risada, não um sorriso torto
uma coisa que venha do fundo e desabroche num espalhafatoso riso
gozoso
feliz
mas fico em vão
de bunda pelada num frio chão
às vezes até penso que você detesta minha forma de ser
que não pode mais ouvir minha voz, minhas vozes, minhas gargalhadas, minhas...
minhas tentativas

me deixa triste senti-la um dissabor tamanho pela simplicidade de um carinho
me deixa culpado eu tentar ser feliz e não acompanhá-la numa maré fria

por favor, segure a minha mão!

terça-feira, 9 de agosto de 2016

estrelinhas

...uma certa carga alcoólica no ar
o som vibrando nostalgia
pés na grama, mesmo que de meias, eram pés na grama
não tínhamos luzes suficientes no quintal, então penduramos as luzinhas de natal
no varal
ficou bom, ficou mágico
eram estrelinhas, bem próximas de nós
era só você e eu
e eu pedi:
- sente-se aqui comigo...vamos curtir o momento

com ódio nos olhos vermelhos, enlouquecida, você respondeu:
- você pode fazer o favor de me ajudar a guardar as coisas!

ficou ruim, a mágica acabou
ficou mal, as estrelinhas morreram
mais uma ou duas cervejas pra fechar o caixão

...aí você veio sentar-se, pediu uma tragada do meu cigarro
silêncio

olhei para o céu e a estrelinha estava tão distante...

fim da festa.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

erro - 14/07/2013 às 22h33


estou errando

em algum lugar estou errando

em algum ponto amarrado ficou ali a sorte

em algum ponto mal dado a infecção nasceu

e eu errei

errei tão bem, tão bom meu erro que mais parece acerto

e por isso não sei onde está

tudo parece no lugar

mas o erro existe

tudo parece bem estar

mas me sinto nu

sim, nu, pelado, perdido e sem resposta

a única coisa que sei é que o erro está presente

é angustiante não vê-lo

é absurdamente angustiante sentir-se um cego num tiroteio

é pior que a morte, assistir a vida passar e não ser ao menos coadjuvante de si mesmo.


jan

No puxadinho dos inutilizados: pensamentos e cigarros

     O céu está vermelho, atrás e acima da montanha. Posso ver uma estrela que antes não piscava tanto, não tanto antes de vê-la. Não, a noi...