sou uma ferida aberta
que os mais variados cães trevosos lambem constantemente
mas nunca se saciam
sou uma ferida rasgada
pelos coices do tempo e das dúvidas
pisoteada por mulas mancas, mulas sem cabeças, e também pelas mulas pedagógicas
sou uma ferida viva
espetada por idas e vindas, por sins, mentirosos, e nãos, constrangedores
sou uma ferida perdida
incapaz de cura
sob cuidados exemplares, mas sem esperança
sou uma ferida pulsante
que cresce na medida dos esgotados, dos cretinos mordazes de bocas moles
dos desesperados que nunca falham, em falhar
sou a ferida raivosa
do mais puro pensar
puto, calórico, caótico, teórico
e tudo mais que a retórica possa profanar