esta é apenas uma carta de doação
da minha sinceridade ao vê-la de alma desflorida
de olhos tão opacos, num verde cansaço
de um sorriso forçoso de canto de boca,
somente um lado
o lado que repuxa as engrenagens da esperança e tenta
apenas tenta
eu sei que a alegria mora em algum pedacinho do seu corpo
mas qual?
e eu, eu me sinto tão inútil, tão insignificante, com minhas tentativas de te fazer uma piada
de te arrancar uma risada, não um sorriso torto
uma coisa que venha do fundo e desabroche num espalhafatoso riso
gozoso
feliz
mas fico em vão
de bunda pelada num frio chão
às vezes até penso que você detesta minha forma de ser
que não pode mais ouvir minha voz, minhas vozes, minhas gargalhadas, minhas...
minhas tentativas
me deixa triste senti-la um dissabor tamanho pela simplicidade de um carinho
me deixa culpado eu tentar ser feliz e não acompanhá-la numa maré fria
por favor, segure a minha mão!
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